
O som fraco de batidas vindo de dentro do caixão faz todo o cemitério ficar em completo silêncio. Sofía imediatamente encosta o ouvido na tampa de madeira e grita chorando: “Meu pai ainda está vivo! Eu sabia!” Verónica fica pálida quando a menina ergue o pequeno frasco diante de todos. Sofía aponta diretamente para ela: “Ontem à noite eu vi você colocar isso no copo do meu pai. Depois que ele bebeu, caiu na mesma hora!” Verónica tenta manter a calma: “Essa menina está em choque, ela nem sabe o que viu!” Mas exatamente nesse momento, duas batidas fracas voltam a soar de dentro do caixão. Todos os presentes se viram para Verónica, enquanto ela começa a recuar assustada.
Sofía conta entre soluços que, na noite anterior, ouviu por acaso uma discussão intensa entre seu pai e Verónica no escritório da mansão. O pai havia acabado de concluir uma auditoria interna e descoberto que milhões de pesos da empresa vinham desaparecendo secretamente havia quase dois anos. O dinheiro era desviado através de contratos falsos de manutenção, reformas e fornecimento, depois transferido para várias contas ligadas a RAÚL, o antigo mordomo da família. Sofía diz chorando: “Meu pai disse que o senhor Raúl não podia ter feito tudo sozinho… porque todas as transferências tinham a sua autorização.” Ao ouvir o nome de Raúl, a expressão de Verónica muda imediatamente.
A verdade era ainda pior do que o desvio de dinheiro. O pai de Sofía havia verificado secretamente as câmeras da mansão e descoberto que Verónica e Raúl não apenas roubavam dinheiro da empresa juntos, mas também mantinham um relacionamento amoroso escondido havia anos. Os dois planejavam retirar o patrimônio aos poucos e depois fazer o empresário acreditar que a companhia estava quebrando, para forçá-lo a vender suas ações. Quando descobriu todo o plano, ele confrontou Verónica e afirmou que, na manhã seguinte, entregaria as provas ao advogado e à polícia. Sofía se lembra das palavras do pai: “Meu pai disse que você e o senhor Raúl vinham roubando a empresa há tempo demais. Ele ia expulsar vocês dois e recuperar tudo.” Verónica grita em pânico: “Cala a boca!” A reação só faz todos perceberem que Sofía acabou de tocar exatamente no segredo que ela queria esconder.
Naquela mesma noite, sabendo que estava prestes a perder tudo, Verónica e Raúl decidiram agir primeiro. Raúl preparou documentos de transferência de ações e vários papéis relacionados aos bens da família, enquanto Verónica tentou deixar o marido incapaz de reagir para obrigá-lo a assinar. Quando ele se recusou, ela colocou secretamente um sedativo forte em sua bebida. Sofía estava do lado de fora da porta e viu tudo. “Eu ouvi meu pai dizer: ‘Não vou assinar nem mais um centavo para vocês dois.’ Depois você entregou o copo para ele.” Poucos minutos depois, ele desabou sobre a mesa. Verónica acreditou que seu plano havia funcionado, mas quando ele não acordou como esperava, decidiu transformar tudo em uma morte repentina.
Verónica anunciou rapidamente que o marido havia morrido enquanto dormia e pressionou para que o funeral fosse realizado o mais rápido possível. Ela exigiu especificamente um caixão completamente fechado e impediu repetidamente Sofía de se aproximar do corpo. Enquanto isso, Raúl desapareceu da mansão levando uma mala com documentos da empresa e os papéis que os dois haviam preparado. Sofía finalmente entende tudo: “Você não queria só roubar o dinheiro… queria enterrar meu pai antes que ele acordasse e depois tomar a empresa junto com Raúl!” Verónica responde tremendo: “Eu não queria que tudo chegasse a esse ponto!” Sofía olha para ela em lágrimas: “Mas você sabia que meu pai podia estar vivo… e mesmo assim deixou que fossem enterrá-lo.”
Novas batidas ecoam de dentro do caixão, desta vez mais fortes, fazendo algumas pessoas chamarem imediatamente uma ambulância e a polícia. Verónica entra em pânico e tenta sair do cemitério, mas os presentes se afastam para os lados e passam a encará-la com desprezo. Perdendo completamente o controle, ela grita: “Raúl disse que, se ele não conseguisse nos denunciar a tempo, ainda teríamos tempo para transferir o restante das ações!” Assim que termina a frase, Verónica congela ao perceber que acabou de admitir sua ligação com o mordomo. Sofía aperta o frasco nas mãos e diz: “Então meu pai estava certo. Vocês roubaram o dinheiro dele, traíram ele… e depois tentaram enterrá-lo para que ninguém pudesse impedir vocês.”
Enquanto o som distante da ambulância começa a se aproximar, Sofía coloca as duas mãos sobre a tampa do caixão e grita: “Pai, aguenta! Eu descobri toda a verdade!” Uma batida fraca responde de dentro. Verónica permanece imóvel, completamente destruída ao perceber que, se o homem despertar, poderá confirmar não apenas que ela colocou a droga em sua bebida, mas também entregar todas as provas sobre o dinheiro desviado da empresa, os contratos falsos e o relacionamento secreto dela com Raúl. Agora tudo fica claro: Verónica não fez aquilo apenas por dinheiro; ela fez porque o marido descobriu tanto o esquema de desvio quanto o caso amoroso dela com o mordomo, e se ele acordasse, os dois perderiam o patrimônio, a reputação e a liberdade. Sofía aperta o frasco contra o peito, olha para Verónica e diz entre lágrimas: “Você achou que bastava enterrar meu pai para enterrar a verdade junto… mas meu pai ainda está vivo.” Nesse exato momento, uma última batida forte ecoa de dentro do caixão.
